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abr 01

O que aprendemos com a quarentena?

Vivemos um momento delicado no nosso planeta. Uma situação totalmente sem precedentes para o cidadão do século XXI, que traz consigo crises que o mundo contemporâneo ainda desconhece.

 

O distanciamento social orientado pelas autoridades não se resume a uma medida de contenção de uma pandemia de escala global. Para muitas pessoas, ele se apresenta também como um precioso e inédito tempo de reflexão.

 

Ouso dizer que para milhões de indivíduos ao redor do mundo, um momento como este não era vivido há anos: a desaceleração. Em meio a toda a ¨correria¨ em que vivemos, quando foi a última vez que você desacelerou de verdade? Importante salientar que ¨desacelerar¨ não significa necessariamente abandonar suas atividades, afinal, a vida segue e precisamos continuar produtivos. Porém, essa produtividade acontece num ritmo completamente diferente. Assim, damos lugar a outras prioridades, reflexões e perspectivas.

 

Observando as notícias, as redes sociais, o comportamento das pessoas à minha volta, esse período me fez refletir sobre uma série de coisas. Refletindo, aprendemos. Mas e então, o que já conseguimos aprender com a quarentena?

 

  1. Lembramos que ainda somos humanos.

 

Por mais que muitas vezes a gente se esqueça disso, é uma verdade inescapável. Toda a tecnologia, ciência, governos, toda a economia global… algumas das maiores estruturas que temos no planeta se mostram abaladas ao se depararem frente a um vírus microscópico, que pode levar a um dos maiores temores da humanidade: a morte. Viver uma pandemia é encarar de frente a fragilidade da espécie humana. E lembrar que mesmo imprimindo órgãos em 3D, construindo arranha-céus ou pisando na lua, nós ainda somos seres humanos.

 

  1. Descobrimos que só a humanidade salva.

 

Nunca se falou tanto em empatia, senso de coletividade, colaboração. Em situações como esta, não existe ¨eu¨ separado do ¨nós¨. Estudos apontam que para solucionarmos o problema, precisaremos de ação conjunta, o que depende do desenvolvimento de uma consciência coletiva. E isso só é possível quando exercitamos esse olhar humano sobre o todo. Definitivamente, descobrimos que em alguns casos, só a humanidade salva.

 

  1. Nos deparamos cara a cara com aquele ¨tempo¨ que tanto nos faltava.

 

Há quanto tempo a gente diz que ¨tá na correria¨? Quantas coisas já deixamos de fazer por não termos tempo suficiente? Bom, a hora é agora. Mas será que a gente quer mesmo fazer aquelas coisas que estavam planejadas? Ou queremos fazer outras coisas? Ou até mesmo não fazer nada… A verdade é que o excesso de tempo livre nos faz perceber o que de fato faz sentido em nossas vidas e o que talvez não fosse tão essencial assim. O que realmente queremos fazer com esse tempo? Em um cenário de abundância de tempo e escassez de recursos, é hora de entender: o que realmente importa pra você?

 

  1. Vivenciamos a dificuldade de estarmos com nós mesmos.

 

Uma das coisas que mais vi nesse tempo de quarentena foi a profusão de conteúdos disponibilizados para que as pessoas pudessem ¨preencher¨ esse tempo. De aulas de culinária e idiomas a exercícios online, o importante era se manter ocupado. É lógico que todas essas iniciativas são brilhantes e bastante úteis para ajudar a sociedade num momento tão delicado… mas por trás disso tudo tem algo que me leva a pensar: será que todos esses afazeres não estão apenas ocupando um tempo em que não queremos olhar pra dentro? Por que buscamos tantos subterfúgios para evitar a convivência e intimidade com a pessoa com quem vamos conviver a vida inteira – nós mesmos?

 

Eu sei, autoconhecimento pode ser bastante doloroso às vezes. Mas como passar pela vida sem pelo menos buscar entender um pouquinho melhor quem é este ser que você vê no espelho todos os dias? O distanciamento social favorece essa reflexão. Afinal, quando poderíamos estar mais com nós mesmos do que agora?

 

  1. Percebemos o quanto ¨produtividade¨ é algo relativo.

 

Neste mesmo contexto, uma outra discussão entrou em pauta: será que eu preciso mesmo estar produtiva 24h por dia? Por que é tão difícil vivenciar o ócio? E por que ele é tão julgado em nossa sociedade? Pra mim, ser produtivo significa ter a capacidade de realizar o que você idealiza e entende como importante naquele momento. E talvez, por um momento, isso signifique apenas existir. Deitar na cama, olhar pro teto. Observar seu gato. Ou as nuvens passando no céu. Existem muitas estruturas – emocionais, psicológicas, energéticas, espirituais – se movimentando a todo tempo, e estar parado não significa necessariamente estar estagnado.

 

  1. Aprendemos a valorizar a convivência humana.

 

Se proibição gera desejo, ausência gera saudade. Ressignificamos o valor de um abraço, de um beijo, até mesmo de um aperto de mão. Sentimos falta da conversa olho no olho, do toque, dos encontros humanos. Sentimos na pele o que o poeta quis dizer com ¨é impossível ser feliz sozinho¨. Mesmo que por um curto espaço de tempo – até que nos esqueçamos novamente – a gente vai abraçar com muito mais vontade, beijar com muito mais carinho e apreciar a companhia de quem amamos com muito mais amor.

 

A quarentena nos faz lembrar de que acima de qualquer coisa, nós somos humanos. E nos faz redescobrir que só a humanização de fato pode nos salvar. Ela nos faz olhar pra dentro, refletir. Nos faz buscar o essencial, valorizar o que realmente importa.

 

Dizem que de toda crise sempre saímos mais fortes. Eu genuinamente espero que esse momento possa ser um intenso ponto de evolução para todos nós enquanto sociedade. Que para muito além das consequências que sabemos que esse período irá nos trazer, possamos ao menos, ser um pouco mais humanos. Afinal, a dor será inevitável, mas o aprendizado é sempre uma escolha.

About The Author

MARIA BRASIL ~ Curiosa, inquieta e apaixonada por construir marcas com alma e essência. Apaixonada por construir marcas com alma, emoção e essência.Especialista em Comunicação Estratégica e Gestão de Marcas pela Universidade Federal da Bahia, com passagem pela Universidad Europea de Madrid, conta ainda com cursos de especialização pelo Instituto Europeu de Design, Miami Ad School, ESPM e New York University.Fundadora da Essence Branding, consultoria de construção de plataformas de marca baseadas na essência e propósito dos negócios, Presidente da Associação de Jovens Empreendedores da Bahia. Autora do livro “O Discurso do Réu”, obra em que trata sobre temas como Propósito, Capitalismo Consciente e os novos modelos de negócios, através de um olhar leve e divertido, conectado à comunicação e ao marketing.TEDx Speaker e palestrante com atuação nacional, ministra aulas em cursos de MBA, além de palestras, cursos e workshops nas áreas de Empreendedorismo Feminino, Branding com Propósito e Personal Branding.

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